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Carreira x filhos: dilema da mulher moderna

As dificuldades para conciliar a carreira e a maternidade podem afetar decisivamente a fertilidade feminina? As respostas para este questionamento foram reunidas por pesquisadores da Universidade do Estado da Pensilvânia e divulgadas num artigo publicado recentemente no Family Relations Journal.

Quando falamos em maternidade e carreira, primeiro, é preciso lembrar que homens bem-sucedidos não têm de lidar com nenhum tipo de opção muito difícil no âmbito pessoal. Geralmente, homens no mundo todo, que exercem qualquer profissão, inclusive os cargos diretivos, expressam livremente o desejo de ter filhos e os têm. Na verdade, “quanto mais realizado o homem”, maior é a probabilidade de que ele se case e tenha filhos.

Com as mulheres ocorre o inverso… Elas enfrentam os mesmos desafios que os homens em longos expedientes e sofrem as mesmas pressões de quem ocupa cargos importantes. Contudo, há desafios que são próprios de cada sexo.

De acordo com dados de uma pesquisa do Center for Work-Life Policy, que reuniu dados de americanas e britânicas, quase metade, 43% das mulheres da Geração X com nível universitário –  aquelas que atualmente estão entre as idades de 33 a 46 anos  –  não têm filhos. Três quartos dessas mulheres sem filhos estão em relações estáveis, ou seja, o fato delas ainda não serem mães, provavelmente não é por falta de um parceiro. Será culpa da carreira?

As mulheres pagam um preço maior pela ascensão profissional porque os primeiros anos “de batalha” se sobrepõem, quase que exatamente, aos anos mais apropriados para a maternidade. É difícil diminuir o ritmo nos estágios iniciais, acreditando que mais tarde será possível compensar o atraso.

As mulheres jovens aprendem que as pessoas bem-sucedidas devem se dedicar à carreira na faixa dos 20 anos e canalizar toda a sua energia para o trabalho, durante pelo menos dez anos, se quiserem ter sucesso. Acontece que, seguindo esta recomendação, é bem provável que as mulheres se vejam com 35 anos ou mais e ainda sem tempo para pensar na possibilidade de ter filhos. É exatamente nesta etapa da vida que a infertilidade pode se tornar um problema, conforme provam inúmeros casos. E mesmo com o emprego das técnicas de reprodução humana assistida, é bom saber que as chances de gravidez até 35 anos de idade são de 40% a 50%. Acima de 40 anos, a taxa de sucesso é de 10%.

Diversas pesquisas no campo dos recursos humanos já apontaram que as mulheres se sentem mais felizes quando têm uma carreira e uma família ao mesmo tempo. Precisamos fazer esta notícia ecoar, transpondo as barreiras corporativas, culturais e sociais.

Dr. Nelson Júnior, ginecologista, diretor do Projeto ALFA, Aliança de Laboratórios de Fertilização Assistida.